Foi a primeira vez que fui para os Estados Unidos da América. Eu fui sozinha para passar um mês na Big Apple. Eu queria ser a Carrie de Sex and The City, uma série famosa por mostrar o dia a dia de quatro amigas que moravam em NY.
Desembarquei no aeroporto JFK no dia 28 de dezembro. Ao meu lado no vôo estava um senhor argentino, ele me ajudou a preencher o formulário de entrada no país e, já na espera das malas, ele me perguntou como eu iria para o meu hotel. Quando disse que iria de táxi para o East Village, ele disse: “mas é muito caro o táxi até lá, meus amigos estão vindo me buscar, a gente te dá uma carona”.. Aceitei na hora Ele e seus dois amigos (todos tinham pelo menos o dobro da minha idade) me deram dicas do que fazer na cidade, quais os restaurantes eu deveria ir (como se eu tivesse dinheiro para isso) e inclusive pararam em plena 5a Avenida para que eu pudesse tirar a minha primeira foto. Pronto, já tinha três amigos em New York (rsrsrs).
Eles me deixaram na porta do meu Hotel no East Village, o The Markle. Era um hotel só para mulheres, e eu fiquei em um quarto com uma coreana, a Yoon. O hotel oferecia café da manhã e janta para as hóspedes, e ali dava pra ver que muitas senhoras moravam no hotel. Acredito que, depois da aposentadoria, em vez de morarem sozinhas, preferiam morar ali. A sala de jantar era lotada de mulheres de todas as idades, o que era uma atração à parte, pois se juntavam diversas nacionalidades (os cursos de inglês ofereciam o lugar para os estrangeiros e ao mesmo tempo senhoras nova-iorquinas estavam entre nós).
Meu plano era encontrar uns brasileiros que moravam em Boston e viriam passar o Ano Novo em NY. Quando eu fui nós não tínhamos celular, então eu esperava no meu quarto até receber a ligação deles, para sair e encontrá-los. Fomos para um bar e depois para a casa de um deles no Brooklyn, onde passamos a virada do ano. Festa estranha com gente esquisita, mas pelo menos assistimos todos os fogos de artifício com Manhattan ao fundo. Foi inesquecível (aqui um parênteses: claro que o plano era ir para a Time Square assistir a bola cair, mas quando soube que teria que entrar antes das 18h e ficar até meia-noite, com uma multidão, só para fazer o que todos fazem, desisti na hora - e deixei me levar pelos moradores locais - um dos primeiros ensinamentos que tive viajando sozinha: sempre confie mais nas pessoas que moram na cidade e menos em blogs de viajantes que, como você, visitam a cidade.
No dia dois de janeiro iniciou o meu curso de inglês. Eu tinha aulas somente no turno da manhã, e à tarde eu aproveitava para passear pela cidade, entrar nas lojas, caminhar pela cidade. A cidade é imensa, uma das maiores do mundo, e possui inesgotáveis atrações para todos os gostos. Por isso é muito difícil encontrar alguma recomendação específica para visitar NY, mas só quem visita sabe a sensação causada pela cidade. É uma cidade que muda completamente a vida dos visitantes.
No primeiro dia já fiz amizade com meus colegas de curso (brasileiros, claro), e várias chinesas também (elas amavam pegar no meu cabelo que era muito diferente do cabelo delas). Um dos meus novos amigos brasileiros queria ser ator internacional (isso a gente só encontra em NY), então ele era super ligado em eventos culturais e Broadway. Sendo assim, já no primeiro dia, passamos a tarde e parte da noite pela Time Square, passeando, entrando em praticamente todos os lugares e absorvendo toda aquela loucura, onde a noite parece dia.
No segundo dia fizemos um piquenique no Central Park, que foi organizado pelo curso de inglês. Depois fizemos um passeio guiado pelo parque, o que parece até desnecessário para um desavisado, mas o parque é tão grande que muitas vezes coisas super interessantes são ignoradas por turistas. O curso tinha uma pessoa que organizava os passeios e vendia as atrações (com um preço bastante reduzido para os alunos) por isso recomendo que, se puderes ficar mais tempo por lá, se inscreva em um curso de inglês porque, além de melhorar (ou aprender) o idioma, você vai gastar muito menos dinheiro para visitar as atrações.
No dia seguinte fui no “The Museum at FIT - Fashion Institute of Technology” que misturava história de moda com moda contemporânea. O museu tinha entrada gratuita e, como esse, você vai encontrar milhares de museus e galerias de arte com acesso gratuito daquilo que você mais gosta. Eu fui no museu com a Yoon, ela queria ser design e eu gostava de moda, então unimos nossas preferências para visitar um lugar juntas. Eu adorava sair com ela porque, diferente dos meus amigos brasileiros, com ela eu tinha que falar inglês e, assim, treinava a minha pronúncia e conversação. Ela fazia o curso intensivo - manhã e tarde - então quase todos os dias jantávamos juntas no hotel e eu contava o que eu tinha feito durante a tarde e, nos finais de semana, aproveitávamos para passear juntas. Permanecemos amigas até hoje no Instagram e ela, seguindo sua vontade de ser design, voltou a morar em NY e hoje trabalha na Nike.
No outro dia fui no Ground Zero, o memorial do World Trade Center, onde ficavam as torres gêmeas destruídas em um ataque terrorista em 11 de setembro de 2001. A visita ao lugar é bastante pesada, o memorial conta a história de praticamente todas as pessoas que morreram no ataque. Mas recomendo muito a visita, foi um dos episódios mais tristes da história (a maioria do mundo viu com seus próprios olhos - pela TV - a destruição da segunda torre). Impossível ignorar essa tragédia.
Outro programa imperdível para quem vai a primeira vez à NY é um passeio pelo Huston River. Com ele você vai até a Estátua da Liberdade (que a gente vê em milhares de filmes), vai até o Brooklyn e tem uma outra vista da Manhattan Bridge, a famosa ponte que liga Manhattan ao Brooklyn. Ficando mais tempo na cidade você pode optar por fazer esse passeio em um dia ensolarado, sugiro deixar para comprar o ingresso desse passeio quando estiver lá, para fazê-lo num dia de sol.
O Metropolitan Museum of Art é outra visita imperdível (esse você pode visitar quando estiver muito frio ou chovendo), e reservar um dia inteiro para ficar, pois ele é DIVINO. Mesmo se você não goste de museus, alguma parte dele vai ganhar teu coração, e sempre tem uma exposição itinerante, quando fui era “Cezzane to Picasso”, não tenho palavras para explicar o quanto amei. Outro incrível (que fica bem pertinho) é o Guggenheim. Só a estrutura dele já vale a visita.
Em janeiro normalmente neva em NY e a cidade fica toda branquinha, então é uma época bem interessante para visitar para quem gosta de frio. Eu sempre acho que metrópole combina mais com frio do que com calor (nem consigo imaginar Manhattan com 40oC de temperatura). E, nessa época, no Rockeffeler Center eles montam uma pista de esqui no gelo, e é lindo patinar lá, pois o entorno é maravilhoso. Quando eu patinei começou a nevar, então foi emocionante.
Lembram do filme “Uma noite no Museu?”. Então, o curso de inglês organizou uma sessão de cinema para ver o filme antes de visitar o Museu de História Natural onde o filme foi gravado. Tirar uma foto com o Moai, o personagem de pedra originário da Ilha de Páscoa, no outro dia foi muito hilário. Onde quer que você vá em NY, sugiro que assista um filme que se passa lá antes de visitar. A sensação de estar no mesmo lugar que vemos no filme que a gente gosta é inexplicável.
Ainda nessa pegada, se você conseguir ficar mais tempo em NY, sugiro que fique atento às pré-estréias de filmes. Normalmente elas se dão em algum cinema perto da Times Square, e mesmo os filmes que a gente nunca escutou falar têm tapete vermelho, muitas câmeras filmadoras e máquinas fotográficas da imprensa, um verdadeiro show ao vivo ( e gratuito), onde podemos ver os atores dando entrevistas e, claro, as roupas chiquérrimas que desfilam no tapete vermelho. Também me inscrevi (com meu amigo que queria ser ator) para ser plateia do David Letterman Show. Eu nunca tinha estado em um programa assim, ver essa lenda de NY e seus convidados sendo entrevistados foi uma experiência incrível.
Outra atração imperdível é subir no Empire States Building. Se estiver um dia bonito, opte por subir no final da tarde e assistir o pôr do sol lá de cima, é maravilhoso, dá para ter uma visão 360o de toda Manhattan, e tirar foto com o Chrysler Building ao fundo, o prédio mais bonito da cidade na minha opinião (mesmo ele sendo construído em 1928).
E, claro, não deixe de ir em (pelo menos) um show da Broadway. Eu fui no Fantasma da Ópera e foi um dos melhores espetáculos que eu já vi na minha vida. Mas, se esse não é do seu gosto, existem inúmeros espetáculos para todos os gostos, mas não deixe de ir.