Fiquei num hotel no Centro Histórico de Lima. Pedi um Uber no aeroporto, foi bem tranquilo. Só que fiquei sem wifi porque saí do aeroporto, não tinha mais contato com o motorista, mas um policial veio e me auxiliou. Ficou comigo até o motorista me buscar. Achei muito seguro.
Meu hotel era simples, mas muito bem localizado. Não achei muito fácil um restaurante para comer meu primeiro ceviche, mas encontrei quando fui para o centro histórico - El Mirador de Chabuca, adorei. Era sábado, e estava tendo uma festa muito engraçada: um cara cantava, outros dançavam, e a maioria na arquibancada ficava olhado. A Plaza Mayor estava lotada, as pessoas sentadas na grama com seus amigos ou familiares. Fiquei lá até começar a anoitecer, a praça é linda quando começa a ficar iluminada, é cheia de flores e muito cuidada. Notei que tem um policiamento muito ostensivo em todo o centro histórico, qualquer coisa estranha os policiais estão atentos, me senti muito segura, mesmo estando sozinha.
No outro dia pela manhã fui até a Praça de San Martín e depois assisti uma Missa na Igreja de São Pedro. Assisti a Missa das 10h e depois fui para o hotel pegar minhas coisas. Como meu hotel ficava no Centro Histórico e era domingo, estava fechada a entrada para carros (mesmo táxis e uber). Tive que pedir o Uber para me buscar na Praça de San Martín e corri para lá. Meu hotel ficava há 300m da praça. Felizmente o segundo uber me esperou.
Eu estava um pouco apreensiva mas muito empolgada de ir para Cusco. Li em um blog que a aterrissagem lá era perigosa, e mesmo assim pedi uma janela para ver tudo. Sorte a minha que resolvi tranquila. A única diferença é que, em vez de ver casas e prédios ao redor, a gente vê montanhas. É lindíssimo. Não teve nenhuma turbulência e o vôo foi muito tranquilo. Dura entre uma e uma hora e meia, não precisa ter medo, é muito tranquilo. E tem vôo diário tanto da LATAM quanto da VIVA, quase de hora em hora você pode voar. Chegando no aeroporto têm muitos taxistas te esperando. Eles vão começar cobrando a viagem 50 soles, negociei por 30. Eles cobram mais do aeroporto porque você não tem ideia de preço. Mas, como não quis dizer “li num blog que vocês cobram mais aqui…”, e sinceramente não acho muito em relação aos outros países, achei 30 soles justo. Na cidade as corridas você vai pagar entre 5 e 10 soles. Antes de entrar no táxi pergunte quanto custa a corrida. Normalmente eles vão dizer bem menos do que você acharia que iria pagar!
Como muitos falaram que eu precisava me ambientar com a altitude, resolvi ficar duas noites em Cusco. E, porque eu poderia sentir alguma indisposição, resolvi ficar em um hotel bom, o Costa Del Sol - Ramada. Recomendo enormemente. Meu quarto tinha banheira, era enorme, e dentro do hotel tem um restaurante ótimo chamado Paprika. No resto do domingo fiquei no hotel: tomei banho de banheira e jantei no restaurante. Não senti absolutamente nada com a altitude, não posso lhe dar nenhum conselho sobre isso. O que eu aconselho é: compre uma noite em Cusco e, se tiver algum incômodo, fique mais uma e depois vá para Machu Picchu ou outro lugar próximo (a quantidade de lugares incríveis para visitar é enorme, dá pra fazer passeios uma semana inteira e ainda falta tempo). Tem um filme ótimo que vi nessa noite que é "Peru: Tesouro Escondido". Assista antes de programar sua viagem. Talvez os cinco dias que você iria ficar se transformem em dez!
No outro dia tomei café da manhã no hotel (e, por garantia, peguei algumas folhas de coca para deixar no bolso). Todos os hotéis dão, e pode-se encontrar várias coisas com coca para vender (balas, por exemplo). Elas ajudam mesmo com os sintomas que podemos ter na altitude. Eu experimentei em Cusco sem precisar, mas na Montanha Colorida elas praticamente me salvaram (o pico fica a 5.000 metros acima do nível do mar. Depois conto mais…).
Fui passear pelo centro de Cusco. Parei no Templo San Francisco de Asís Del Cusco (como sempre faço entro em uma Igreja para conhecer e agradecer). Tinha uma música de fundo linda, fiquei sentada contemplando. Quando cheguei perto de Santo Antônio vi que na verdade era alguém tocando… muito lindo! Depois passei pela Plaza de San Francisco, Colégio Nacional de Ciências, Arco de Santa Clara, Mercado San Pedro, e depois me perdi. Meu Google Maps parou de mostrar onde eu estava (mesmo eu tendo baixado o mapa off line de Cusco), aí resolvi pegar um táxi para voltar para o hotel. Custou 5 soles (foi uma decisão ótima, pois eu estava completamente perdida!). Normalmente isso não acontece comigo, tenho noção de onde vim, mas dessa vez não. Culpo as folhas de coca que coloquei na boca para ver no que dava ;)
À tarde fui para a Praça das Armas que ficava há 300m do meu hotel. Ao lado da Catedral tem um restaurante maravilhoso chamado Limo. Ele mistura comida peruana e japonesa (minhas duas favoritas junto com vietnamita). Iria fazer um free tour pela cidade às 15h, mas só apareceu eu e o cara queria me cobrar um valor para tour individual. E ele não usava máscara (sendo que é mandatório o uso de duas máscaras - uma cirúrgica e uma de pano). Voltei pro hotel. Para minha sorte, porque começou a chover muito. Eu nem lamentei, entrei na banheira e lá fiquei até o jantar. Escolhi o restaurante Morena, que recomendo também. Finalmente experimentei causitas, um tipo de nugets com frango desfiado em cima e muitos molhos. Amei! E, para acompanhar, pisco, claro! No outro dia, 5h da manhã, um taxista me buscou no hotel e me levou para a estação da Peru Rail, para pegar o ônibus para Ollantaytambo.
Machu Picchu é conhecida como a "Cidade Perdida dos Incas", e é isso que encontramos quando visitamos essa atração - uma estrutura organizada que foi conhecida em todo o mundo pela sua cultura e tradição, pelos objetos de ouro que confeccionavam, pela utilização de pedras em suas obras como estradas nas montanhas, nos canais de irrigação e nas casas. Essa atração fica a uma altitude de 2430 metros acima do nível do mar, e a forma de ir para lá é a partir de Cusco, que fica a 3.400m. Sendo assim, é importante ficar 2 dias em Cusco para se acostumar com a altitude, que é bastante marcante para algumas pessoas. O sintoma mais comum é falta de ar, o que pode ser amenizado com chá de coca ou folhas de coca.
Eu optei por fazer o tour para Machu Picchu de um dia, saindo 5h da manhã do hotel e retornando 22:00h. Um táxi me buscou no hotel e me deixou na estação da PeruRail. Lá peguei um ônibus até a Estação de Ollantaytambo às 5:20h, e às 8:30h peguei o trem para Machu Picchu. Chegando na estação ainda precisei pegar um ônibus por uns 20 minutos para subir até a entrada da Cidade Perdida de Machu Picchu. Se você quiser carimbar seu passaporte (sim, Machu Picchu tem carimbo), tem um senhor que fica perto da fila do ônibus com o carimbo, a contribuição é voluntária. Eu fiquei dentro do Parque Nacional de Machu Picchu das 11h às 14h, e a presença do guia é muito importante mesmo para aqueles que sabem tudo sobre a cidade e sobre os incas,pois ele sempre sabe mais. E, sem dúvida, saber mais sobre essa atração incrível é muito interessante.
A cidade foi a única que não foi destruída pelos espanhóis. Quem morava nessa cidade eram os filósofos, astrônomos, professores, reis, xamãs, entre outros. As casas eram divididas em regiões e também por tamanhos (casas para uma pessoa, duas pessoas, família…). Também tem diferença de quem é rei (a casa tem banheiro). Mas além de todas as informações e as construções que nos deixam estupefatos, o que mais me marcou foi a energia do lugar. Normalmente eu consigo descrever os sentimentos que tenho nas minhas viagens, mas em Machu Picchu foi diferente. Estando lá consegui entender porque Machu Picchu é uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno. Então, sem mais delongas, um conselho: vá. E vá logo, porque não é um turismo muito fácil, tem que caminhar bastante, numa altitude que não estamos acostumados. -Falar do caminho que não dá pra voltar -Falar das lhamas
:40h uma van passou no meu hotel para ir para a Montanha Colorida. Trocamos para um ônibus, e viajamos por duas horas até chegar no local do café-da-manhã. Estava muito frio, e aproveitei para comprar uma meia de lã, já que disseram que no topo da montanha era mais frio. Andamos mais 1,5h até a chegada no parque onde fica a Vinicunca, a Montanha Colorida. A estrada é tortuosa, um dos lados um verdadeiro penhasco (sem nenhuma proteção), estava chuviscando e, quanto mais subíamos, mais neve tinha (lembrando que eu fui em janeiro). O topo da Montanha Colorida fica há 5.000m acima do nível do mar. O guia disse que a subida era bem tranquila, e que ele iria acompanhar aqueles que tinham mais dificuldade, mas que cada um poderia ir no seu ritmo, uma vez que só tinha um caminho e não tinha como se perder.
Eu senti muita dificuldade em subir, comi todas as folhas de coca que tinha levado do hotel e também balas de coca que são vendidas por locais. Mesmo assim, quando meu plano era dar 10 passos, eu dava 4. E não era só eu: as 3 pessoas que estavam comigo (dois deles tinham feito uma trilha de 8h até Machu Picchu e também tinham subido a montanha de Machu Picchu) estavam no mesmo ritmo que eu. Além disso, contrariando a quantidade de neve (era absolutamente tudo branco ao redor), cada vez que a gente subia ficava mais quente. No nível de ficar quente usando apenas um top! Quando cheguei no topo, a montanha estava totalmente coberta de neve! Não dava para ver suas cores, uma pena. As cores se dão pelas diferentes composições: Rosa ou fúcsia (mescla de argila vermelha, lama e areia), Branco (arenito ou areia de quartzo e calcário), Roxo ou lavanda (mistura de argila e carbonato de cálcio e silicatos), Vermelho (argelinos e argilas), Verde (argilas ricas em minerais ferromagnesianos e óxido de cobre), Castanho amarelado, mostarda ou dourado (limites, arenitos calcários ricos em minerais sulfurosos).
Foram umas 3h de caminhada para subir, e uma hora para descer. A descida pareceu uma conquista, eu fui bem feliz, sabendo que iria deitar logo no ônibus. É incrível como a altitude cansa o corpo. Antes de voltarmos para Cusco, paramos para almoçar. Ali eu já estava praticamente recuperada. Mesmo que meu depoimento não seja dos mais empolgantes, vá. A região do Peru onde fica a Montanha Colorida é uma região muito pobre, e para o povoado é uma ótima fonte de renda. Por isso eles cuidam muito bem do lugar, dos cavalos que são usados para subir (me arrependi de não ter subido de cavalo, a história seria bem diferente). Mas vá em junho ou julho, quando você conseguir ver as cores da Montanha Colorida ;)