Quando cheguei em Tel Aviv, fui bastante questionada na alfândega: “Qual o vôo de origem?”, ele perguntou se meu sobrenome era alemão; “Quanto tempo vai ficar?”, “Conhece alguém em Israel?”. Depois disso devolveu meu passaporte, sem carimbar, junto com dois papéis com minha foto e minhas informações, um para entrar no país e outro para sair.
Como cheguei 11h em Telaviv, meu plano era fazer um tour às 14h a partir da Clock Tower. Não rolou. Ou eu estava muito lerda porque tinha dormido pouco, ou o sistema de transporte é muito confuso! Depois de penar, aqui vão algumas dicas:
- Você tem que ter um cartão para andar de ônibus. Eu só descobri quando cheguei na parada e uma menina muito simpática me avisou. Mas ela não sabia onde comprar! Resumindo: voltei para a estação de trem e comprei direto com o funcionário passagem para Jerusalém. Nas máquinas acredito que só vendam ticket para o trem.
- Os trens são ótimos, todos com carregador (tomadas de 2 pinos) e banheiro.
- Não se assuste com a quantidade de militares armados nas ruas. Eu vi pela primeira vez uma militar enquanto esperava meu trem para Jerusalém, e fiquei um pouco apavorada. Ela tinha um fuzil pendurado no ombro e estava super desligada olhando o celular. Facilmente alguém podia tirar a arma dela. Mas não aconteceu, só na minha imaginação. E depois fiquei sabendo que as armas estão descarregadas.
Como fui sozinha para Israel, decidi comprar alguns pacotes de turismo para conseguir ver mais coisas possíveis.
Eu cheguei numa quarta e fui embora na segunda. Se eu pudesse, ficaria mais uma semana. Não faltam locais marcantes (ainda mais se você é católico).
Fiquei num hostel muito bom, bem no centro de Jerusalém. No vídeo dá para ver a área comum dele, localizada no último andar.
Em 2019, quando passei a Páscoa em Jerusalém, esta foi comemorada na mesma data tanto pelos católicos quanto pelos judeus. Imagina a quantidade de gente! Jerusalém normalmente já é lotada de turistas, mas neste ano, além dos turistas, ainda havia mais cristãos e judeus devotos querendo comemorar a Páscoa na terra de Jesus. Eu havia planejado passar a Páscoa lá há muito tempo, e só fui descobrir que também era a Páscoa judaica quando cheguei. Confesso que foi muito interessante. E posso dizer, com toda a certeza, que foi a Páscoa mais emocionante da minha vida.
Fiz um tour por Jerusalém na Sexta-feira Santa. Ele iria iniciar às 7h da manhã mas, como Jerusalém estava lotada, o tour começou às 6h.
Iniciamos visitando um lugar sagrado para cristãos, judeus e muçulmanos: o Túmulo do Rei Davi. As tradições dessas três religiões monoteístas estão entrelaçadas em torno do Rei Davi, fundador de Israel, profeta do Islã e antepassado de Jesus. O templo que guarda a tumba era uma humilde igreja bizantina, usada por monges franciscanos que foram expulsos pelos muçulmanos no século XVI. A igreja, assim, tornou-se uma mesquita dedicada ao Rei Davi. Hoje a sala do túmulo funciona como sinagoga, mas acolhe fiéis dessas três religiões.
Embora os historiadores continuem a procurar a tumba do rei, as escrituras religiosas e a tradição fizeram deste lugar o túmulo de Davi desde o século X. Uma grande Menorá (candelabro de sete braços e um dos principais símbolos do Judaísmo) dá as boas-vindas aos visitantes que entram na sala, que possui duas áreas de oração - uma para homens e outra para mulheres, conforme a tradição judaica. O sarcófago de Davi está coberto por uma túnica azul com inscrições em hebraico, que dá para ver no vídeo abaixo.
No mesmo local também está o Cenáculo, a sala onde a Última Ceia de Jesus foi celebrada com seus discípulos. De acordo com a tradição cristã este foi o lugar onde Jesus Cristo celebrou a Eucaristia e jantou com seus doze discípulos antes que os romanos o prendessem. No dia que fui visitar a porta que dava acesso ao Cenáculo estava fechada, infelizmente.
Como iniciamos o tour muito cedo, a Abadia da Dormição ainda estava fechada para visitação. De acordo com a tradição local, foi neste local, próximo ao local da Última Ceia, que a Virgem Maria morreu. A Igreja Católica acredita que a "morte de Maria" não aconteceu: Maria foi assunta (levada para o céu de corpo e alma), e os bizantinos defendiam a “dormição” de Maria, que significa o mesmo que assunção para os católicos. Foi daí que surgiu o nome original do mosteiro, sendo que a igreja foi chamada de Basílica da Assunção (ou Basílica da Dormição).
Na sequência, fomos fazer uma visita ao Museu do Holocausto. Com certeza foi o lugar mais triste que já fui em toda a minha vida. Mais de 6 milhões de judeus foram mortos (sendo que desses, mais de 500 mil crianças). Impossível esquecer. Impossível.
Por motivos de respeito, é proibido fotografar dentro do Museu. As fotos de dentro do Museu abaixo são de cartões postais vendidos no local.
E depois fizemos a Via Crucis, a via Dolorosa, com 14 Estações, onde passamos onde Jesus passou, desde a Sua condenação até a Sua morte. As ruas de Jerusalém estavam lotadas, mas cada vez que alguém empurrava, eu pensava no que Ele passou. Por mim. E nessa hora tudo ficava pequeno, insignificante. A Via Crucis termina na Igreja do Santo Sepulcro, onde se encontra o local onde Jesus foi crucificado. Ele fica dentro da Igreja, exatamente abaixo de uma cúpula dourada que conseguimos ver do Monte das Oliveiras e de qualquer lugar alto em Jerusalém. É impossível esquecer que Ele esteve ali, e ressuscitou. E agora cuida de nós, ao lado do Pai.
Terminei a Sexta-feira no Muro das Lamentações, que é o vestígio do que foi o segundo templo judeu, destruído pelos romanos no ano 70, um lugar muito significativo também em Jerusalém. Milhares de judeus celebravam a Páscoa judaica nesse local. Conforme a tradição judaica, aqui também existe uma parte do muro para os homens, e uma outra parte para as mulheres. Os espaços são separados por uma divisória. O Muro das Lamentações está localizado perto da Esplanada das Mesquitas, onde ficava o templo, e ainda hoje é o lugar mais sagrado para os judeus, mas também o terceiro lugar sagrado para o Islã, depois de Meca e de Medina.
Quando voltei pro Hostel, umas 16h, eu estava muito cansada. Resolvi dar uma dormidinha até umas 18h e depois sair para jantar. Para minha surpresa, quando saí do meu hostel (que ficava no centro de Jerusalém), tudo estava fechado. TUDO.
Era o Shabat, que é o dia de descanso semanal do judaísmo, equivalente ao nosso domingo, mas com regras como não mexer em eletrônicos, cozinhar ou trabalhar. Vai de sexta a partir do pôr do sol até o anoitecer de sábado. Caminhei mais de um quilômetro para encontrar um armazém (de um muçulmano) onde consegui comprar uma pizza pré-pronta para esquentar no hostel. Era só o que tinha. Foi uma experiência muito legal. Nunca imaginei que uma cidade tão turística pararia por causa do Shabat. Mas sim, se prepare se estiver numa sexta-feira em Jerusalém: compre um lanchinho antes de anoitecer!
Tel Aviv fica a menos de uma hora de trem de Jerusalém e é uma cidade com edifícios enormes e modernos. A beira mar é uma atração em si, com ótima infraestrutura e o Mar Mediterrâneo embelezando ainda mais a paisagem.
No sábado fiz um tour pelo litoral ao norte de Tel Aviv, quase até a fronteira com o Líbano.
A próxima parada foi Cesaréia, também chamada de Cesaréia Marítima. Essa cidade foi construída por Heródes (o mesmo que mandou construir Massada) em homenagem a César, o Imperador Romano, entre os anos 25 a 13 a.C. O nome também é Cesaréia Marítima por causa do grande porto, que dava à cidade uma grande importância estratégica.
O Palácio de Herodes ficava em uma elevação em frente ao mar, e suas ruínas até hoje podem ser visitadas. Possuía inclusive uma piscina na beira do mar. Pôncio Pilatos, governador dos romanos nomeado para essa região e mandou matar Jesus, morava nessa cidade.
Como em toda cidade romana, havia em Cesaréia locais de entretenimento. De frente para o mar foi construído o primeiro teatro romano do Oriente Médio, com milhares de lugares distribuídos em uma estrutura semicircular.
Haifa é uma cidade portuária no norte de Israel, localizada do Mediterrâneo à encosta norte de Monte Carmelo. Os locais mais icônicos da cidade são os terraços imaculadamente arranjados dos jardins Bahá'í e, no respetivo centro, o santuário de Báb, com uma cúpula dourada. Na parte inferior dos jardins fica a Colónia Alemã, com lojas, galerias e restaurantes em edifícios do século XIX.
Séculos de história, invasões e domínios de diversos povos e culturas fazem de Acre (ou Akko, em hebraico), Israel, uma das cidades mais interessantes do país. Localizada em uma península no Mar Mediterrâneo, Acre é a capital da Galiléia e um lugar que faz a gente se sentir voltando no tempo.
O principal e mais importante atrativo de Acre é a imponente Cidadela, também conhecida como Salas dos Cavaleiros, e local onde ficava o Forte dos Hospitalários, construído inicialmente pelos Cruzados por volta do ano 1110. O forte ganhou o nome em homenagem à Ordem dos Cavaleiros Hospitalários. Em 1187, os Cruzados foram expulsos de Acre pelo exército muçulmano, mas retornaram logo em seguida, em 1191, com a vitória do rei Ricardo Coração de Leão. Nessa época, a Ordem dos Hospitalários já não conseguiu mais reaver a cidade de Jerusalém e Acre tornou-se então a capital do segundo reino dos Cruzados. O forte virou o “quartel general” dos Cruzados e foi ampliado. Ganhou três andares, salões importantes, uma área subterrânea e um sistema de esgoto.
Quando Akko foi posteriormente tomada pelo império Otomano, o governador Pasha Al-Jazzar derrubou e reconstruiu grande parte do forte, tornando-o seu castelo. Mas muito ficou escondido embaixo da terra. Desde 1994, uma área de 5000 m2 já foi escavada. Ali foram encontrados artefatos e espaços incríveis da época dos Cruzados, como o refeitório, o Túnel dos Templários e o sistema de esgoto, usado também para fugas em momentos de guerra.
Rosh Hanikra (que em português significa ‘cabeça das grutas’) é uma linda reserva natural e um dos atrativos mais procurados na Galiléia Ocidental. Essas surpreendentes grutas de calcário formadas pela erosão do Mar Mediterrâneo sob uma rocha milenar separam a fronteira entre Israel e o Líbano. Dali é possível observar o som e o contraste entre as ondas azuis que batem com força dentro das cavernas escuras ou nas superfícies externas quase brancas das rochas de calcário.
Para chegar às grutas, tomamos um bondinho vermelho ou amarelo, conhecido como o mais íngreme do mundo. A viagem é curta, apenas 2 minutos, mas a vista, incrível. O primeiro passo é assistir a uma apresentação audiovisual, em um cinema dentro de uma caverna, que conta a história do lugar. Rosh Hanikra fica localizada em uma montanha chamada Cordilheira das Escadas. Acredita-se que, no ano 333 ac, Alexandre o Grande foi forçado a construir uma escada na encosta da montanha para passar com seu exército. Muitos exércitos passaram depois por ali, entre os quais assírios, persas, gregos, romanos, árabes e cruzados.
Durante o mandato Britânico na Palestina, após a I Guerra Mundial, os britânicos pavimentaram a rota e, em seguida, em 1941, construíram um túnel pelas rochas, que ligava a cidade israelense de Haifa a Beirute e Trípoli, no Líbano. Com a passagem de um trem, conseguiram conectar uma longa rota entre o Sinai, no Egito, Palestina, Líbano, Síria, Turquia e a Europa. Quando Israel iniciou sua guerra de independência, em 1947/48, o medo de que o Líbano enviasse seu exército por terra levou um grupo de israelenses a implodir o túnel, que está fechado até hoje. No outro lado da tela onde assistimos ao filme que conta toda essa história está a parede que separa hoje Israel do Líbano.
Depois da apresentação audiovisual, é possível caminhar por dentro das grutas e ouvir de pertinho o barulho do mar batendo nas pedras. O túnel das grutas tem 200m, mas a paisagem do lado de fora também é deslumbrante!
De Rosh Hanikra avistamos o muro na fronteira de Israel com o Líbano. Os dois países brigam e são inimigos até hoje. É impossível entrar no Líbano se você esteve em Israel. Se falar a palavra Israel na fronteira do Líbano eles tem o poder de te prender. Eu fui pro Líbano dois meses depois, mas como em Israel eles não carimbam mais o passaporte (esse é um dos motivos), pude entrar sem problemas.
Depois desse passeio maravilhoso, voltei para o meu Hostel e aqui vai mais uma história de porque, se você viaja sozinha, o melhor é ficar em Hostel: Fui para a área comum do hostel no último andar, e um seminarista alemão estava no hostel. Eu sou católica, tinha escolhido estar em Israel na Páscoa para conhecer um pouco mais o lugar onde Jesus havia nascido, crescido, morrido e ressuscitado. Mas eu estava com horários tão reduzidos para participar de uma Missa de Páscoa por causa dos tours que estava um pouco chateada… Foi aí que ele me disse que haveria uma Missa da Abadia da Dormição (sim, aquela Igreja que visitamos no início do tour em Jerusalém e que não estava aberta ainda porque começamos o tour uma hora mais cedo na Sexta-feira Santa) às 3h da manhã.
Primeiro eu pensei que não tivesse entendido direito. Depois de perguntar 3x eu ri e perguntei qual o motivo de ser essa hora. A Missa - rezada em alemão - era nesse horário para terminar com o nascer do sol, no horário onde foram no Sepulcro e não encontraram Jesus, a prova maior que Ele havia ressuscitado. Fiquei muito feliz e disse que iria com ele. Aí ele me disse que ele não iria, pois precisava dormir. Aquela conversa aconteceu somente para que eu soubesse dessa Missa.
Acordei 2:15h, me arrumei e fui sozinha até o Monte das Oliveiras, onde fica a Abadia da Dormição. Foi um pouco tenso caminhar por Jerusalém sozinha às 2:30h da manhã, mas uma emoção tomou conta de mim e me impediu de desistir ou de ter medo, eu sabia que Jesus estava ali, comigo.
Meu presente de Páscoa!
Guardei o Domingo de Páscoa para conhecer o lugar onde Jesus nasceu. Fiz um tour até Belém, que está descrito em outro post da Palestina, porque Belém é território palestino.
Foi muito emocionante estar no local onde Jesus nasceu, mas ao mesmo tempo um pouco triste: a cidade de Belém, que fica há menos de 10km de distância de Jerusalém, em nada se parece com o território israelense. Existe na entrada de Belém uma espécie de fronteira, onde nossa van parou, tivemos que descer e entrar em outra van. Trocamos até de guia, pois israelenses não podem entrar em território palestino, somente palestinos e turistas.
Conversei muito com a nossa guia Mariah, principalmente para entender a situação dos palestinos. Ela, uma católica que morou durante toda a vida em Belém contou, com lágrimas nos olhos, o quanto ela lamentava essa ruptura entre Israel e Palestina. Ela não pode entrar em Jerusalém por ser palestina. Ela conta que estudou em Jerusalém, parte da sua família mora em Jerusalém, mas ela não pode vê-los.
Hoje, na cidade onde nasceu Jesus, somente 1% dos residentes são católicos, contou ela. E é muito triste que a Basílica da Natividade, que foi construída no local onde Jesus nasceu, hoje representa muito mais turismo do que religiosidade.
Se você quiser saber mais, veja o post da Palestina.
- Israel é um dos únicos lugares do mundo em que a saída do país é mais chatinha que a entrada. Pra te liberarem você precisa passar por um interrogatório pior do que na chegada nos Estados Unidos e uma inspeção minuciosa nas bagagens. Mas também é só isso, nada de complicado se você for claro e direto. É bom chegar no aeroporto com no mínimo 3 horas de antecedência para o processo não te atrasar pra pegar o voo.
- Eu fui em Abril e estava muito frio, principalmente à noite. Como fui só com uma mochila, teve dias que vesti praticamente todas as roupas que eu tinha! Sendo assim, não esqueça de levar um casaco quentinho. E também sapatos confortáveis porque você vai caminhar muito!
- Eu fiquei 4 dias inteiros lá. Achei pouco. Acho que uma semana é o mínimo para conseguir visitar mais lugares com calma. Já estou pensando em voltar ;)